Dois Cantos

27.10.05

Nada

Nenhuma história pra contar. Nada interessante pra falar. Nenhuma informação nem mesmo uma citação. Nada a acrescentar. Explicações desnecessárias e palavras vazias. Pensamentos batidos e frases repetidas. Textos cansativos e discurso dispensável. Monólogo mudo para espectadores surdos. Sílabas desconexas e letras que não se encaixam. Sons ao vento, que não servem nem para produzir eco. Ditados inúteis. Não ver a hora de dizer, não saber a hora de calar. Um silêncio barulhento, que grita por uma resposta. Uma pergunta, mil perguntas. Pensamentos sonoros. E eu? O que que eu faço agora? Ainda não falei o suficiente, mas acho que você já ouviu demais.

26.10.05

Pro dia nascer feliz

Todo dia a insônia
Me convence que o céu
Faz tudo ficar infinito
E que a solidão
É pretensão de quem fica
Escondido fazendo fita
Todo dia tem a hora da sessão coruja, hum...
Só entende quem namora
Agora vão'bora
Estamos bem por um triz
Pro dia nascer feliz, hum...
Pro dia nascer feliz
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir, dormir
Pro dia nascer feliz
Ah! Essa é a vida que eu quis
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir...
Todo dia é dia
E tudo em nome do amor
Ah! Essa é a vida que eu quis
Procurando vaga
Uma hora aqui, a outra ali
No vai e vem dos teus quadris
Nadando contra a corrente
Só pra exercitar...
Todo o músculo que sente
Me dê de presente o teu bis
Pro dia nascer feliz, é!
Pro dia nascer feliz
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir, dormir
Pro dia nascer feliz, é!
Pro dia nascer feliz
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir, dormir

25.10.05

Os clichês da vida

Todo mundo ama demais, toda mãe morre pelos filhos, todo pai é herói, todo mundo tem um amigo que é um irmão, todo mundo tem o homem/a mulher da sua vida. A vida é um clichê gigante! E que palavras nunca foram ditas? Outro clichê!
O clichê é clássico! É biológico, social, psíquico. O clichê é necessário! Ele ajuda os tímidos, os que têm preguiça de pensar, os que têm medo de falar besteira. É fácil apostar no a gente já sabe que funciona, convence. Ele cabe certinho naquela hora em que a gente não tem outra coisa para falar. Ele veste aqueles momentos em que precisamos nos fazer entender. Ele salta de nossas bocas sem que percebamos e invade nossos ouvidos com tanta fluência que acaba se bastando. Não precisa de mais explicações. Não precisa de discussão nem de muita argumentação. Se alguém guarda um segredo a sete chaves, pra que discutir? É um segredo secretíssimo!
Se eu sou a favor do uso indiscriminado, ou mesmo eventual, do clichê? Contra textos, palavras, argumentos e explicações originais? Claro que não! Amo uma boa discussão, adoro idéias novas! Só não quis cometer o clichê de criticar o clichê!

20.10.05

"A franqueza não consiste em dizer tudo o que se pensa, mas em pensar em tudo o que se diz". (Victor Hugo)

19.10.05

Nossa! Depois de 15 dias, eu venho aqui envergonhadamente, por mim e pelo Kiko (Sim! Pelo Kiko também! Vou dividir com ele a culpa deste blog estar jogado às traças!), publicar mais um texto.
Na verdade andei meio sem idéia do que escrever, sem muitas novidades. Não que eu escrevesse o desenrolar dos meus dias aqui (sorte de quem lê!), mas as novidades sempre trazem idéias do quê escrever. E, no fim, continuo sem idéia, mas achei deprimente deixar o Dois Cantos largadinho assim. Se bem que, na verdade, acho que isso de não ter idéia do que escrever não é apenas uma fase. Acho que sou uma pessoa sem idéias. Que tem uma ou outra história desinteressante para contar e algumas opiniões irrelevantes sobre uns poucos assuntos, que nem conheço tão bem assim. Que mediocridade! Mas essa é a imagem que muitas vezes vejo no espelho quando acordo e, principalmente, quando termina o dia.
Lamentável, né?
Essa música aí de baixo é do Pato Fu, uma banda que conheci no colegial (há 9 anos) com uma amiga muito querida (Evelyn, adoro você). Ela, a música, retrata bem o que vejo muitas das vezes em que me olho no espelho...

Pouco adiantou
Acender cigarro
Falar palavrão
Perder a razão
Eu quis ser eu mesmo
Eu quis ser alguém
Mas sou como os outros
Que não são ninguém
Acho que eu fico mesmo diferente
Quando falo tudo o que penso realmente
Mostro a todo mundo que eu não sei quem sou
E uso as palavras de um perdedor
As brigas que ganhei
Nem um troféu
Como lembrança
Pra casa eu levei
As brigas que perdi
Estas sim
Eu nunca esqueci
Eu nunca esqueci

5.10.05

Pessoinhas importantes

Hoje resolvi escrever sobre pessoinhas importantes nas nossas vidas. Que, sem que a gente note, transformam nossa realidade numa coisa mais suave, doce, simples. Pessoinhas que são capazes de nos roubar um sorriso mesmo naqueles dias mais tenebrosos, e que, nos dias mais tranqüilos, nos fazem voltar à infância e correr, pular, brincar. Pessoinhas que cresceram conosco e que nos fazem crescer, sempre. Pessoinhas felinas ou caninas, não importa, elas são sempre donas do mais puro sentimento que temos. Pessoinhas que amamos demais.
Hoje eu resolvi escrever sobre as nossas pessoinhas, essas que, não importa quanto tempo passe, estão sempre na nossa memória, junto das melhores recordações. (saudades)

4.10.05

Rotina

Todo dia ela faz tudo sempre igual. Da cama pro banho, do banho pra sala, o sono persiste, o sol já não tarda, a vida insiste em servir o velho ritual que sempre cega tantos outros, o mesmo pão comido aos poucos. Sem trabalho eu não sou nada. Não tenho dignidade. Não sinto o meu valor. Não tenho identidade. Mas o que eu tenho é só um emprego e um salário miserável. Eu tenho o meu ofício que me cansa de verdade. Tem gente que não tem nada. Quando não se tem mais nada. Não se perde nada. E eu que já não sou assim, muito de ganhar, junto as mãos ao meu redor, faço o melhor que sou capaz só pra viver em paz.
Ops! Será que eu falei o que ninguém ouvia? Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Quer saber? Eu não nasci pro trabalho. Eu não nasci pra sofrer!

(As palavras foram todas emprestadas de Chico Buarque, Paralamas do Sucesso, Titãs, Nando Reis, Los Hermanos, Nando Reis de novo e Ed Motta)